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Aptos a criar e desenvolver temas sob o julgo de solicitações do cliente, os publicitários fazem parte de uma espécie que mesmo no tempo livre não para de criar e surpreender, maravilhando sem a menor das pretensões os olhos de quem vê sua obra. A agência Tríadaz Propaganda e Marketing mostra a seguir parte da “traquinagem” artística a que alguns de seus colaboradores se propõem a fazer nas horas de folga. Isto, ao que tudo indica, acaba por repercutir na feitura de peças publicitárias fora do lugar-comum – conciliadoras e polêmicas, atemporais e vanguardistas, inovadoras e conceituais.

Os figuristas

Como se meter a fazer design sem se aventurar no universo da fotografia? Danilo C. Monteiro e Rogério Costa se dedicam, cada um a seu modo, a gravar retalhos da realidade com seus cliques e flashes. Danilo mistura o figurismo surreal de seus desenhos às fotos que registra do telhado de onde mora aos eventos folclóricos de São Luiz do Paraitinga; ousa ainda quando numa só fotografia deixa o colorido “brincar” com o preto & branco. Rogério, por sua vez, se atreve a praticar o que chama de fotoaquarismo e capta em milésimos de segundo a beleza de um certo Yellow Tang, bichinho irrequieto que demandou quatro horas de obstinação e paciência do fotógrafo. Aliás, antes de fazer fotoaquarismo se deteve a estudar fotografia, aquarismo e a diversidade que se esconde no fundo do mar.

Ilustrador maior de idade, vacinado e crítico por diversão existe? Claro. Na Tríadaz atende pelo nome de Marcio Aurélio. De uma cena que observou nas ruas de Taubaté, por exemplo – trabalhadores com britadeira embaixo de um sol de meio-dia escaldante – nasceu a ilustra “Profissional”. Uma crítica ao homem que se contamina pelo modus operandi de seu serviço sem se encantar por ele. De suas experiências na Angola pós guerra civil, nascem imagens sensíveis e instigantes.

Os músicos

Horror Deluxe. Parece nome de banda de rock. E é – banda e marca de roupa também. A grife, a propósito, veio antes, em 2007. No ano passado, o ilustrador Rogério Ucra, ao lado da esposa, fundou a banda, formada por esses dois amantes da música do rock anos 60 e do surfe rock instrumental mexicano. A canção autoral Kong nos Portões, como denuncia seu encarte, fala da inversão de valores na sociedade. E onde se separa a influência do humor de Angeli e o erotismo de Milo Manara no trabalho e no passatempo comprometido de Ucra?

Os criativos da Tríadaz têm ainda espaço para se dedicar à música religiosa. O tráfego Carlos Eduardo Silva, o Cadu, destina horas do final de semana a tocar violão clássico para rituais sagrados da Igreja Católica. Para ele [que no dia a dia cuida milimetricamente do cronograma da agência], música é como matemática; segue padrão e tempo devidamente calculados. Não são raras as vezes que Lucas Rodrigues [que na agência lidera a equipe de criação], empresta sua voz ao som de Cadu. A voz que comanda os trabalhos de criação aqui lidera verbalmente a banda católica lá fora – criatura [divina] e criador [publicitário].

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por Tríadaz em 19/05/2010